| Designed by: |
| Pedro - 10 anos |
|
|
|
| Escrito por Administrator |
| Quarta, 21 Outubro 2009 21:41 |
|
Já não sei há quanto tempo estão ali, os meses correm numa rapidez lenta onde se perde a noção do tempo de institucionalização. Ele chama-se Pedro e tem 11 anos. A história é curta. As palavras dele aterradoras demais para se conseguir fazer mais perguntas. A mãe morreu. Sentiu-se mal quando estava em casa com os filhos, caiu no chão inanimada. Ele recorda-se de tudo.
“ Foi a minha tia má que envenenou a minha mãe”
Um pai alcoólico que os visita mas que não consegue largar o vício.
“ Não posso ir morar com o meu pai porque ele ainda vive com a minha tia má”
É um miúdo sofrido. A primeira vez que o vi disse-me palavras que ficaram cravadas no meu coração “gostava de ter uns pais novos como vocês”, respondi-lhe que um dia ele também terá, mas ele simplesmente baixou a cabeça sem esperança nenhuma no olhar.
A cada visita abraça-nos com uma força desmedida de saudades mesmo antes de entrarmos. Olha-nos com esperança e cada vez que vamos embora coloca aquele olhar triste, aquela fingida indiferença por mais uma vez sairmos da vida dele.
Frases como: “Gostava de ter um quarto como o do M.” e um “Mãe” chamado na brincadeira enquanto lhes sirvo o lanche demonstram bem os seus sentimentos.
O caso do Pedro é mais um que não terá uma resolução em breve. As visitas do pai, que eles tanto gostam, continuam. O seu vício pelo álcool que não lhe permite ter as capacidades parentais para os criar e educar também. Ao Pedro resta apenas ver entrar e sair os meninos da instituição, saem com famílias novas, saem com as próprias famílias, mas saem… Ele apenas olha. É um dos rostos sem esperança numa janela a fazer-nos adeus após cada visita.
|
| Actualizado em Quarta, 21 Outubro 2009 21:48 |



